No dia 20 de novembro o NUPEAC – Núcleo de Pesquisa e Ação em Arte Comunitária, em parceria com a Associação de Capoeira Malícia Negra realizou o Dia da Consciência Negra com a reflexão sobre a cultura negra em Caconde. A comemoração da data teve um diferencial, pela primeira vez na história da cidade a data foi comemorada com diversas ações culturais. O evento ocorreu na Escola Municipal Cândido Lobo e contou com a apresentação teatral da peça Krake – Aviltadas, com o Teatro Popular Cara e Coragem, monólogo com Adriana Damasceno, roda de conversa sobre as histórias dos quilombos em Caconde com José Armando do grupo de pesquisa da história oral e fundamentos da capoeira regional de Bimba com o mestre Fumaça, campeão mundial, nacional e estadual de capoeira e atualmente, árbitro da Federação Brasileira de Capoeira.
O evento foi finalizado com o tradicional batizado e a troca de cordas com o grupo de Capoeira Malícia Negra, núcleo Caconde, sob a coordenação do contramestre Galú. Estiveram presentes, ainda grupos de capoeiristas das cidades de Santa Cruz da Estrela, Tambaú, São José do Rio Pardo, Porto Ferreira, Tapiratiba, Santa Cruz das Palmeiras, Descalvado e Ribeirão Preto, com seus representantes: mestre Moreno, presidente da Associação de Capoeira Malícia Negra, mestre Fumaça e o contramestre Negrito, do Senhor do Bonfim, professor Xexéu, da Academia de João Pequeno de Pastinha, professor Baiano do grupo Nativa e mestre Maercio do grupo Jogo Livre, com contribuições relevantes à cultura da capoeira.
Segundo pesquisas de José Armando e Adriana Damasceno, o Quilombo do Careca, hoje Pontal, pertencia ao bairro do Quilombo, pertencente ao grande quilombo do Campo Grande, sendo este núcleo entre Caconde e Divinolândia. Oficialmente, muitos fatos da nossa história foram omitidos e, com isso, muitos documentos foram queimados e senzalas destruídas. Os negros que viviam nessa região foram quase todos dizimados e alguns sobreviventes se alojaram na cidade de Caconde. Os únicos documentos que comprovam tal evidência, remanescentes deste período, ainda não estão autorizados à consulta pública e foram remanejados para o foro da cidade de Jundiaí.
| Mestre Moreno |
| Mestre Fumaça e Contramestre Negrito |
| Artesanato do Mestre Moreno |
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| Teatro Popular Cara e Coragem |
Com o Dia da Consciência Negra a história se fundamenta e se fortalece com a preservação da memória de um povo. Caconde (“caconda” ou “cacundas”) disputa o reconhecimento dessa memória esquecida, fazendo com que vários fatos nem chegassem a fazer parte dos registros oficiais. Dada tal importância que o NUPEAC e a Associação de Capoeira Malícia Negra realizaram uma semana de estudos, debates e reflexão por meio de ações artísticas, para que as pessoas tenham consciência de sua identidade e reconheça a luta que muitos travaram para que em meio a escravidão conseguissem a liberdade de si e de muitos outros negros e brancos pobres.
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| Adriana e o Contramestre Galú |
| Documentário do Mestre Pastinha |
A Semana da Consciência Negra recebeu o apoio do Jornal Folha Cacondense, do Departamento de Esporte, do Departamento de Educação e Cultura da Prefeitura da Estância Climática de Caconde.



